Entrevista com a nutricionista Nathália Petry

Nathália PetryFormada em Nutrição pela Universidade Federal de Santa Catarina, em Coaching pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC) e em Mindfulness pelo Instituto Nutrição e Consciência, Nathália Petry trabalha, atua e estuda na área de nutrição comportamental, que é uma forma de ver a nutrição que tem como foco a atitude que a pessoa tem perante a comida, o relacionamento que ela tem com a alimentação.

Fale-nos um pouco sobre sua trajetória profissional.

Eu vim parar nessa área da nutrição por causa de transtornos alimentares e acabei me interessando por uma linha da nutrição que explorasse a alimentação mais profundamente e foi conhecendo essa área mais comportamental que eu pude me recuperar de vez e também definir a minha trajetória profissional.

Em poucas palavras, eu diria que o meu foco não é tanto o que comer, mas como você come, o porque você come e tentar explorar o que está por trás desse relacionamento com a comida. O objetivo é que você resgate o relacionamento positivo com a alimentação.

Quais as principais funções do nutricionista?

Depende da área de atuação do nutricionista. É um profissional que tem uma atuação muito ampla. Pode trabalhar em unidades de alimentação, na saúde pública, na área da nutrição clínica, na área hospitalar. Em geral, a principal função é cuidar da alimentação e da saúde das pessoas.

Hoje, o meu principal papel como nutricionista é ajudar as pessoas a terem um melhor relacionamento com a comida. Um relacionamento sem culpa, sem medo, sem restrições. Um relacionamento que pode voltar a ser natural, positivo, tendo uma vida mais leve.

No Brasil existem mais de 300 cursos de Nutrição. Qual a sua avaliação sobre o mercado de trabalho para esse profissional?

É um mercado com muitas oportunidades. O nutricionista está mais procurado, as pessoas estão mais preocupadas com a alimentação. Muitos profissionais surgem a cada ano. Acho que é importante que os cursos passem a olhar também para a parte comportamental. A alimentação não é simplesmente o que a gente come. Existem muitos fatores por trás. Acho fundamental que os novos profissionais sejam incentivados a terem esse novo olhar. Existe um paradoxo. Quanto mais as pessoas estão se preocupando com a comida, mais elas estão ganhando peso. Algum fator comportamental tem que ser trabalhado no meio. O nutricionista precisa ser mais que um educador alimentar, ele precisa ser um terapeuta para ajudar as pessoas a desenvolverem um relacionamento melhor com a comida.

Você é uma nutricionista, segundo suas próprias palavras, que não acredita em dietas. Você poderia falar mais sobre isso?

Eu não acredito em dietas pelo simples fato que eu percebo que elas não funcionam. Existe uma grande literatura sobre isso, as proibições e restrições alimentares. Elas afetam o biológico, alteram o metabolismo, levam ao efeito sanfona. As dietas também mexem com o psicológico, nos tornam mais obsessivos, trazem ansiedade, culpa, medo de comer.

A literatura indica que 95% das pessoas que fazem dieta, voltam a engordar. Alguns autores trazem que as dietas são preditoras de ganho de peso, que é o chamado paradoxo das dietas.

As dietas não têm compreendido as necessidades das pessoas. Além disso, cada um de nós tem uma autonomia alimentar, todos nós sabemos nos alimentar, nós temos instintos de fome, saciedade, nós podemos sim ter esse lado intuitivo mais incentivado para que a gente possa fazer escolhas sem depender de uma orientação.

Quais os fatores que você leva em conta ao elaborar um cardápio alimentar para alguém?

Eu, em geral, não trabalho com cardápio alimentar. Tenho trabalhado com uma linha que se chama alimentação intuitiva que incentiva a autonomia alimentar. Eu tenho incentivado cada um a olhar dentro de si e observar o que tem realmente vontade de comer, entender os vínculos disfuncionais que nós temos com os alimentos. Eu prezo muito a autonomia, eu não me sinto confortável de dizer para alguém o que ela deve comer.

Quais são os cuidados que devem ser tomados por quem deseja fazer uma reeducação alimentar e ter qualidade de vida?

É observar se essa reeducação não está se tornando uma dieta para evitarmos os malefícios como alteração no metabolismo, repulsa pode determinados alimentos e obsessão por outros. É importante que a pessoa seja acompanhada por um profissional capacitado.

Para quem passou a maior parte da vida tendo uma vida sedentária e agora resolveu mudar os hábitos, qual alimentação seria mais adequada?

A orientação mais adequada é o de cuidar para não querer mudar os hábitos e criar um monte de regras. Tem que ser algo que seja possível manter. Não pode ser algo tão difícil que a pessoa desista. Ao invés de simplesmente cortar alimentos, inserir outros, mais frutas, mais saladas, mais água. Para orientações mais detalhadas, sugiro uma visita ao meu site: De bem com meu prato.

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