Entrevista com a ex-nadadora e empresária Fabíola Molina

Fabíola MolinaFormada em Artes Cênicas nos Estados Unidos, Fabíola Molina foi uma das principais nadadoras do Brasil. Começou na natação aos 4 anos, e aos 10 já competia oficialmente. Com apenas 16 anos conquistou uma vaga na Seleção Brasileira, onde permaneceu por mais de 20 anos, representando o Brasil nas Olimpíadas de Sidney, Pequim e Londres. Venceu 67 vezes o Campeonato Brasileiro, conquistou 6 medalhas em Jogos Pan-americanos e 14 ouros em Mundiais. Mas o desejo de ser mãe acabou falando mais alto e aos 38 anos ela decidiu abandonar as piscinas, passando a se dedicar integralmente a sua marca, especializada em moda praia e esportiva.

Você nadou em alto nível até perto dos 40 anos. Algum segredo para essa longevidade nas piscinas?

Fui para as Olimpíadas de Londres com 37 anos e me aposentei com 38. Na verdade, são vários segredos. O primeiro é não forçar muito quando criança. Isso, com certeza, influenciou minha carreira ser longa. Sempre fazer uma boa alimentação é fundamental. Não ter tido nenhuma lesão ao longo da minha carreira também ajudou bastante.

Buscar treinadores competentes, que entendessem o meu momento de vida. Quando você tem 20 anos é fácil se adaptar a qualquer treinamento. Eu busquei treinamentos que se adaptassem a minha realidade. Isso não significa que deixei de treinar. Eu sempre treinei muito. Eu fui buscar um treinamento na Itália, uma treinamento diferenciado em Brasília, fui atrás de treinadores que entendessem as minhas necessidades. Ter um bom relacionamento com o treinador é essencial.

No meu caso, eu comecei a namorar com o meu marido com 27 anos e isso me ajudou muito. O prazer de viajar para competir junto me motivava. Mas isso não é uma coisa que se aplica de forma geral.

Outro fator é você sempre fazer coisas diferentes para não se cansar. Você buscar alternativas para continuar crescendo e melhorando. A motivação é muito importante.

Fabíola Molina
O momento de parar é sempre complicado. Como foi sua decisão de se aposentar?

Inicialmente eu achei que ia parar depois da minha primeira participação olímpica, em 2000. Eu fui a única mulher brasileira na natação. A década de 90 foi muito complicada para a natação feminina. Eu estava no Vasco e eles acabaram com o projeto sem pagar ninguém.

Mas aí eu conheci o Diogo e fiquei motivada a nadar um pouco mais. Ele foi morar nos Estados Unidos, então namorávamos a distância e a natação era um meio da gente se encontrar. Em 2004, fui também treinar nos Estados Unidos. Ele foi para as Olimpíadas de Atenas e eu não, mas eu estava nadando bem. Casamos em 2006. Com isso, resolvemos fazer no novo ciclo olímpico até Pequim 2008. Nessa época morávamos na Itália e decidimos ir até Londres 2012.

Um dos meus projetos pessoais era ser mãe e eu sabia que se fizesse um ciclo de mais quatro anos, seria tarde. Por isso, 2012 era a hora certa. Eu ainda fiz um ano de destreinamento em 2013 porque eu achei que era importante não parar de uma vez. Competi pela cidade, treinando mais leve, apenas três vezes por semana. Fui me despedindo aos poucos.

Você estava acostumada a uma rotina puxada de treinamentos. Atualmente, como é o seu dia-a-dia?

É bem diferente, pois eu eu treinava duas vezes por dia. Eu tive uma filha em 2014. Esse ano tem sido bem cheio. Trabalho o dia todo e quando chego em casa, quero curtir a minha filha. Também estou envolvida com o projeto de piscinas públicas em São José dos Campos. São 15 no total. Ainda participo do conselho da mulher empreendedora.

Qual atividade física você pratica no momento?

Cheguei a nadar algumas vezes e fazer pilates. No momento, com regularidade mesmo, faça caminhada. Quero um dia fazer aula de dança.

Fabíola MolinaVocê aparenta muito menos que os 41 anos que tem. Na verdade, está cada dia mais bonita. Qual o segredo?

A felicidade. Se a pessoa está bem, está feliz, isso ajuda a deixar a pessoa mais jovem. A beleza vem do sorriso, do olhar sincero, de uma perspectiva de futuro. Você ter uma vida equilibrada, equacionada. E é claro, os cuidados que temos que ter. Descansar, se alimentar bem, ter uma visão otimista ajuda bastante.

Como é sua alimentação diária?

Minha alimentação não mudou muito. Só diminuí a quantidade. No café da manhã, frutas, cereais, fibras, queijo branco, pão e café com leite. Acho importante fazer um lanche no meio da manhã e da tarde. Uma fruta, um iogurte, um sanduíche com queijo branco ou pasta de amendoim. No almoço e no jantar, um prato equilibrado com carboidratos e proteínas. Arroz, feijão, frango, peixe, carne e alguma coisa verde. Também bebo muito água.

Você evita algum tipo de alimento?

Penso que é mais importante o que a gente não come do que o que a gente come. Não como muita fritura, muito açúcar e muito sal.

Você teve uma participação marcante como comentarista nas Olimpíadas 2016. Pretende conciliar sua vida de empresária com a de comentarista? Quais seus planos para o futuro?

Foi uma experiência bem legal, eu gostei bastante de participar. Eu já tinha feito o Pan e o Mundial. Eu fui contratada para os eventos de forma específica. Eles têm dois comentaristas fixos, a Mariana Brochado e o coach Alexandre Pussieldi. No momento, até porque eu não moro no Rio de Janeiro, farei participações. Vale lembrar que não tem competição de natação o ano inteiro.

Fabíola MolinaDepois das Olimpíadas de Sidney, em 2000, eu já comecei a planejar meu pós-carreira. Assim surgiu a ideia de investir em moda esportiva, inspirada principalmente na minha necessidade como atleta, que não encontrava maiôs bonitos e confortáveis para treinar. Eles eram sempre azul marinho ou preto, e de péssima qualidade. Iniciamos a estruturação da marca em 2000/2002, mas nossas próprias produções começaram somente em 2004. Porém minha carreira de atleta se prolongou. Nesse meio tempo fui levando em paralelo a vida de empresária e de atleta.

A marca Fabíola Molina, especializada em moda praia e esportiva, está crescendo, temos uma loja física e também vendemos pelo internet, pelo nosso site (www.lojafabiolamolina.com.br). Além disso, exportamos para mais de 50 países.

O meu foco é continuar desenvolvendo as coleções, ajudando a marca a expandir cada vez mais. O objetivo é fazer produtos de qualidade, confortáveis e bonitos.

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